Porque é que a Cruz Vermelha prefere donativos em dinheiro a donativos de cobertores,
roupa ou comida?
Numa situação de emergência, a ajuda deve ser adequada às necessidades das pessoas afectadas e chegar o mais rapidamente possível.
O donativo de artigos, como cobertores, roupas, alimentos, medicamentos ou mobiliário, podem ser recursos valiosos numa acção de emergência. No entanto, podem não ser adequados às necessidades avaliadas nos cenários operacionais. A título de exemplo, pode referir-se a situação das comunidades afectadas pelo terramoto ocorrido no Paquistão, em 2005. Expostas a temperaturas negativas nas montanhas onde sobreviviam em abrigos temporários, estas pessoas necessitavam de cobertores especiais e vestuário muito quente e não dos vulgares cobertores e roupa leve, habitualmente, doados em Portugal.
Para não correr o risco de vir a receber artigos que não se adeqúem às necessidades ou não cumpram determinados requisitos, a Cruz Vermelha Portuguesa está obrigada a seguir determinadas normas de qualidade que pretendem padronizar os artigos, conferindo-lhes um nível mínimo de qualidade em todo o mundo. Para o efeito, segue as directivas do manual de logística da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho – Emergency Items Catalogue – desenvolvido com base em mais de 140 anos de experiência em cenários de intervenção operacional.
Sobre este assunto, também deverá ser tido em conta o preço dos artigos. Se, por exemplo, alguém quiser doar um conjunto de artigos de higiene (composto por champô, pasta de dentes, escova de dentes, sabonete, lâmina de barbear descartável, toalhetes, papel higiénico e detergente para a roupa) gastará certamente mais do que 7,5€ na compra destes artigos, que é o valor pelo qual a Cruz Vermelha, pelo seu estatuto, consegue adquirir um kit de higiene para 6 pessoas.
Por outro lado, existe a questão do transporte dos artigos até ao local da emergência cujo custo é, na maioria das vezes, mais elevado do que o valor do próprio artigo e, regra geral, acarreta sempre problemas relacionados com a embalagem, taxas aduaneiras, extravios...
Pelas razões acima explicadas e para responder a uma emergência, a Cruz Vermelha tentará comprar os artigos necessários nas próprias regiões ou países afectados, por forma a reduzir os custos de aquisição e transporte, a aumentar a velocidade da entrega, a respeitar os gostos e costumes locais e, ainda, a beneficiar as economias locais.
Resumidamente, a Cruz Vermelha prefere o donativo monetário ao donativo de artigos, porque o dinheiro pode, de forma muito rápida e simples, ser transferido para qualquer conta bancária ou convertido imediatamente nos bens mais urgentes em qualquer parte do mundo. Permite à Cruz Vermelha usar o seu forte poder de compra para beneficiar o maior número de pessoas e ajustar a resposta muito rapidamente a necessidades e prioridades variáveis.